Iniciação Cristã para Adultos
PARÓQUIA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Feliz Natal a todos!!
Na semana passada terminámos a sessão com alguns poemas de Natal de quatro dos nossos poetas portugueses. Coloco-os agora aqui e faço voz ao convite pedido no final da sessão de todos nós apresentarmos neste blog outros poemas de Natal que conheçamos ou encontremos.
![]() |
| Natividade - F. Barocci, 1597 |
Estes quatro poemas, por exemplo, como que evocam o regresso ao tempo de infância em que tudo é novo, tudo é belo, e tudo é simples.
Assim foi também, na noite em que nasceu aquele "palmo de sonho". Por entre o sagrado e o profano: «Eis que Deus se fez carne e acampou entre nós.» (Jo 1,14)
Ide ver, ali em Belém, «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2,12).
Ide ver, ali em Belém, «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2,12).
HISTÓRIA ANTIGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei. Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou; E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Coimbra, 12/10/1937
FALAVAM-ME DE AMOR
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado. O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira
Obra Poética 1948-1988
A abstracção não precisa de mãe nem pai
nem tão pouco de tão tolo infante
mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta
ano após ano via surgir figura nova nesse
presépio de vaca burro banda de música ribeiro com patos farrapos de algodão muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores
multidão de gente judaizante estremenha pela
mão de meu pai descendo de montes contando
de Belém
um galo bate as asas um frade está de acordo
com a nossa circuncisão galinhas debicam milho
de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto
assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão
um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no
camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no
sapato tudo tão real como o abrir das lojas no dia
de feira
e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto
subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos
e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha mãe com uns restos de canela e Beira Alta.
João Miguel Fernandes Jorge
Actus Tragicus
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Iniciação Cristã
Para quem não conhece algumas histórias de São Tomás de Aquino, santo padroeiro da nossa paróquia, deixo aqui esta primeira mensagem.
Muito tarde na sua vida, já depois do terminus da sua Suma Theologica, São Tomás constatou um pequeno e singelo facto: «Tudo o que escrevi é palha. Queimem-na.»
Considerado um dos mais dignos doutores da Igreja, responsável pela exposição doutrinal de inúmeros conteúdos de fé, o Santo Doutor simplesmente não conseguiu ficar imune à imensidão de Deus, e à infinita distância que a nossa razão está da Sua compreensão.
No entanto, São Tomás sabe que há uma procura a viver, sabe que há uma verdade a encontrar, e sabe que há um amor a experimentar. É então, através das palavras deste Santo que nos chega um dos mais belos poemas-oração, e que aqui deixo, para inaugurar e nos acompanhar ao longo do caminho que este blog percorre.
«QUE EU CHEGUE A TI, SENHOR
Que eu chegue a Ti, Senhor,
por um caminho seguro e recto;
caminho que não se desvie
nem na prosperidade nem na adversidade,
de tal forma que eu te dê graças
nas horas prósperas e nas adversas,
conserve a paciência,
não me deixando exaltar
pelas primeiras nem abater pelas outras.
Que nada me alegre ou entristeça,
excepto o que me conduza a Ti
ou que de Ti me separe.
Que eu não deseje agradar
nem receie desagradar senão a Ti.
Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos
por tua causa, Senhor,
e tudo o que Te diz respeito me seja caro,
mas Tu, meu Deus, mais do que o resto.
Qualquer alegria sem Ti me seja fastidiosa,
e nada eu deseje fora de Ti.
Qualquer trabalho, Senhor,
feito por Ti me seja agradável
e insuportável aquele de que estiveres ausente.
Concede-me a graça
de erguer continuamente o coração a Ti
e que, quando eu caia, me arrependa.
Torna-me, Senhor meu Deus,
obediente, pobre e casto;
paciente, sem reclamação;
humilde, sem fingimento;
alegre, sem dissipação;
triste, sem abatimento;
reservado, sem rigidez;
activo, sem leviandade;
animado pelo temor, sem desânimo;
sincero, sem duplicidade;
fazendo o bem sem presunção;
corrigindo o próximo sem altivez;
edificando-o com palavras e exemplos,
sem falsidade.
Dá-me, Senhor Deus,
um coração vigilante,
que nenhum pensamento curioso
arraste para longe de Ti;
um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite;
um coração recto que nenhuma intenção equívoca desvie;
um coração firme, que nenhuma adversidade abale;
um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.
Concede-me, Senhor meu Deus,
uma inteligência que Te conheça,
uma vontade que Te busque,
uma sabedoria que Te encontre,
uma vida que te agrade,
uma perseverança que Te espere com confiança
e uma confiança que Te possua, enfim.
Amen.»
Muito tarde na sua vida, já depois do terminus da sua Suma Theologica, São Tomás constatou um pequeno e singelo facto: «Tudo o que escrevi é palha. Queimem-na.»
Considerado um dos mais dignos doutores da Igreja, responsável pela exposição doutrinal de inúmeros conteúdos de fé, o Santo Doutor simplesmente não conseguiu ficar imune à imensidão de Deus, e à infinita distância que a nossa razão está da Sua compreensão.
No entanto, São Tomás sabe que há uma procura a viver, sabe que há uma verdade a encontrar, e sabe que há um amor a experimentar. É então, através das palavras deste Santo que nos chega um dos mais belos poemas-oração, e que aqui deixo, para inaugurar e nos acompanhar ao longo do caminho que este blog percorre.
«QUE EU CHEGUE A TI, SENHOR
Que eu chegue a Ti, Senhor,
por um caminho seguro e recto;
caminho que não se desvie
nem na prosperidade nem na adversidade,
de tal forma que eu te dê graças
nas horas prósperas e nas adversas,
conserve a paciência,
não me deixando exaltar
pelas primeiras nem abater pelas outras.
Que nada me alegre ou entristeça,
excepto o que me conduza a Ti
ou que de Ti me separe.
Que eu não deseje agradar
nem receie desagradar senão a Ti.
Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos
por tua causa, Senhor,
e tudo o que Te diz respeito me seja caro,
mas Tu, meu Deus, mais do que o resto.
Qualquer alegria sem Ti me seja fastidiosa,
e nada eu deseje fora de Ti.
Qualquer trabalho, Senhor,
feito por Ti me seja agradável
e insuportável aquele de que estiveres ausente.
Concede-me a graça
de erguer continuamente o coração a Ti
e que, quando eu caia, me arrependa.
Torna-me, Senhor meu Deus,
obediente, pobre e casto;
paciente, sem reclamação;
humilde, sem fingimento;
alegre, sem dissipação;
triste, sem abatimento;
reservado, sem rigidez;
activo, sem leviandade;
animado pelo temor, sem desânimo;
sincero, sem duplicidade;
fazendo o bem sem presunção;
corrigindo o próximo sem altivez;
edificando-o com palavras e exemplos,
sem falsidade.
Dá-me, Senhor Deus,
um coração vigilante,
que nenhum pensamento curioso
arraste para longe de Ti;
um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite;
um coração recto que nenhuma intenção equívoca desvie;
um coração firme, que nenhuma adversidade abale;
um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.
Concede-me, Senhor meu Deus,
uma inteligência que Te conheça,
uma vontade que Te busque,
uma sabedoria que Te encontre,
uma vida que te agrade,
uma perseverança que Te espere com confiança
e uma confiança que Te possua, enfim.
Amen.»
- São Tomás de Aquino
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